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Confira aqui algumas fotos do nosso entrevistado em ação em campeonatos e treinos com a galera do skateboard-speed!


Maia, Fabião, Gulherme, Luciano e Cobra, a elite do speed


Gulherme em ação - Teutônia 2004 / foto: Tony Skaters

Gulherme em ação - foto: Tony Skaters

Gulherme em ação - Teutônia 2004 / foto: Tony Skaters

Equipemanto: O skate...

... e o capacete de competição, aerodinâmico

Guilherme Neto em ação

no curvão da Vista Chinesa


Fazendo um freeride

do arquivo: no Sumaré em 2001

...e nas paineras, em 1999





um pouco de história do skate downhill slideAs melhores peçaso video mais épico de todos!! não perca!!o cara é casca no speed...aaaltas fotos..


2- ENTREVISTA: GUILHERME NETO
Guilherme é um dos representantes brasileiros nas etapas do mundial de downhill speed mundo afora, e veio nos contar um pouco da sua vida sobre as 4 rodinhas... CONFIRA!

Triboaventura: Nome completo e idade
Guilherme Gonçalves Soares Neto (vulgo Gui), tenho 24 anos.

Triboaventura: porque você escolheu o skate downhill?
Eu já andava de skate desde os meus cinco anos de idade, ou seja, a familiaridade com o carrinho já vinha praticamente do berço, meu primeiro contato com o longboard foi na praia (ciclovia) em 1995 quando dei um role no skate longboard de um amigo meu e fiquei amarradão com a sensação de liberdade e vento na cara que só o skate longboard proporciona, a partir daí não sosseguei até fazer um rolo numa prancha velha, ao qual eu troquei por um skate longboard, dai eu passei a ir a quase todos os finais de semana para praia dar um rolé, passei também a dropar umas ladeiras bem leves aqui perto de casa na Tijuca.

Triboaventura: E o profissionalismo, veio quando? Quando você começou no esporte?
No final de 1997, houve um campeonato de downhill nas Paineiras que passou na televisão, quando eu vi aquelas imagens fiquei doido, os caras dropando em meio à floresta descendo a ladeira sem barulho de motor, ar puro, adrenalina, confraternização com os amigos, liberdade, banhos de cachoeira...No final de semana seguinte eu estava lá nas Paineiras e não parei mais. O profissionalismo veio no final de 2002, quando resolvi que queria ser atleta e comecei a batalhar, treinando, aprendendo, correndo atrás de patrocínio, estudando o esporte, fotos, filmes, correndo campeonatos, etc...


Triboaventura:
Existem especificações de categorias dentro do esporte? Em qual você se encaixa?
Existem sim, são elas: 1º Downhill longboard Freeride - descer a ladeira em estilo livre, surfar à ladeira, mandar carves, alguns slides, andar com estilo aproveitando toda a ladeira, em largura e comprimento. 2º Downhill slide - descer a ladeira mandando o maior número de slides possíveis com a maior velocidade possível, pode ser com "skatinho" normal ou longboard, ambos com rodas duras. 3º Slalom - descer a ladeira passando por um a linha de cones, são dois skatistas descendo, cada um em sua linha de cones, quem chegar em primeiro sem derrubar nenhum cone e passando por todos os cones, leva a bateria. 4º Downhill skateboard standup speed - descer a ladeira imprimindo o máximo de velocidade possível, no domínio da técnica do speed, temos: Foot break (frear com um dos pés mantendo o outro sobre o skate em qualquer velocidade, é uma norma de técnica e segurança), Air break (frear usando o corpo para reduzir a velocidade), Trabalho de vácuo (andar procurando se encaixar no vácuo do outro atleta e esperar o momento certo para ultrapassagem), Fazer curvas em alta velocidade (fazer as curvas em alta velocidade colocando uma das mãos na borda do skate a outra mão no chão deve-se usar luva com pads de poliuretano).
Nos campeonatos, são feitas tomadas de tempo para classificar os atletas, os campeonatos costumam ter o formato de 32 atletas classificados, normalmente tem 70 atletas inscritos, assim 38 atletas são eliminados na tomada de tempo. As eliminatórias são formadas por baterias de quatro atletas, os skatistas que chegam em primeiro e em segundo passam para a próxima fase até chegar a final. 5º Downhill boardercross - descer a ladeira passando por cones, rampas, wallrides, bumps, etc. Dois atletas descem juntos e quem chegar primeiro leva a bateria.

Eu curto e treino em todas essa categorias, além de andar em mini-ramp e street, mas a categoria em que eu mais me empenho é o downhill speed.


Triboaventura:
Existe competição por equipe?
Não, o que ocorre é que o esporte acontece entre amigos, dessa forma, a galera de cada estado se reúne, treina junto, se organiza para viajar para os campeonatos junto, todos se ajudam mutuamente em tudo, assim acabamos por formar equipes por estado/cidade nos campeonatos pelo Brasil e por país nos campeonatos pelo mundo.

Triboaventura: Você tem apoios/patrocínios?
Graças a DEUS, depois de muita batalha, conto com seis patrocínios que me dão um suporte técnico e material indescritível, são eles: FlexGym academia, Osklen, Puma, Nutry barras de cereal, Mantra Optical e luvas ProShock.

Triboaventura: Você tem títulos, marcas pessoais, recordes, etc?
Tenho sim:
11º lugar no Champ de Vertiville em SP com 9º tempo de 42 atletas em 2003;
8º lugar no Champ do Funil em BH com o 12º tempo de 42 atletas em 2003;
4º No Banana´s Downhill em Bananal - SP com o 5º tempo de 24 atletas em 2003;
Terminei em 5º no Brasileiro de 2003 e em 1º no ranking do Rio de Janeiro de 2003, tudo por conta das classificações acima.
3º no Champ de Slalon Redley em Ipanema - 2004;
15º no Champ de Vertiville em SP com 11º tempo de 32 atletas em 2004.
17º no Champ do Funil em BH com o 6º tempo de 64 atletas em 2004;
18º no Teutônia Speed no RS com 25º tempo de 42 atletas em 2004;


Triboaventura:
Como está o circuito brasileiro? É organizado? Tem apoio dos governos locais? Está cada vez melhor, está ainda meio desorganizado, mas com todos os esforços que estão sendo disponibilizados pelos atletas, clubes e algumas marcas estão trazendo cada vez mais profissionalismo e organização ao brasileiro.Se houvesse apoio dos governos locais estaríamos com mais eventos por todo o canto do país e o esporte estaria num nível ainda maior aqui no Brasil.

Triboaventura: Mas o que falta para que o circuito brasileiro seja bom e respeitado? O que falta é uma associação nacional de atletas e integrantes para lutar por patrocínios concretos que apóiem etapas durante todo o ano com cobertura completa da mídia e uma grande exposição nas mesmas, assim teremos mais e mais empresas a fim de apoiar mais e mais eventos em nosso país. Essa associação já está para se concretizar num futuro próximo. De qualquer forma, o circuito brasileiro está muito bem respeitado e forma atletas cada vez melhores.

Triboaventura: E o mundial? É mais organizado do que o brasileiro? Você participa? O mundial está muito bem organizado pela IGSA( http://www.gravity-sports.com) e a cada ano aparecem mais etapas. Eu tenho condições técnicas em classificação para correr todas as etapas do mundial graças a DEUS, o que me falta é um patrocínio que financie minhas despesas com as viajem internacionais.

Triboaventura: Como esta à participação dos brasileiros no mundial? Nos mundiais da Europa neste ano dos nove brasileiros que foram disputar o mundial os nove permaneceram entre os top 16 em todas etapas que rolaram por lá e todas etapas contaram com 90 atletas de todas as partes do mundo. Com destaque para o atleta do RS, o Douglas Dalua, que conquistou o 5º lugar na Suíça e o 2º lugar na Alemanha. Tudo isso, vem a ser muito importante, pois a estrutura e os patrocínios que os atletas estrangeiros tem é infinitamente superior a que os atletas brasileiros tem, ou seja, é nossa dedicação e garra de brasileiro que faz a diferença, além do alto nível de nossos atletas.

Triboaventura: Quais são as suas próximas metas? Minhas próximas metas são treinar cada vez mais para manter e elevar cada vez mais meu nível técnico e condicionamento físico, além disso, continuo correndo atrás de um patrocínio que financie minhas viagens para correr todas etapas do brasileiro e do mundial e assim, lutar cada vez mais para realizar meu sonho de ser campeão brasileiro e mundial. Estou também desenvolvendo um capacete aerodinâmico com desenho inédito, que vai melhorar meu desempenho nas altas velociodades.Tenho também a intenção de comercializar esse capacete.

Triboaventura:
Onde você treina? No Rio de Janeiro, quais são os melhores picos para o treinamento e prática?
Tenho meu preparo físico orientado e montado na FlexGym academia aqui na Tijuca, onde cumpro uma rotina de exercícios específicos para prática de downhill, além disso, faço Yoga na mesma academia, que me ajuda na concentração nos campeonatos e mantém firme meu corpo e mente. Quanto às ladeiras, eu treino basicamente e primordialmente no Sumaré, esta ladeira é a melhor que temos no Rio de Janeiro, por sua extensão, dificuldade técnica, inclinação e por ter um drop que pode ser feito sem usar a contra mão, além de ter um fluxo de carros muito pequeno, eu também treino na Vista Chinesa (os dois drops), Paineiras e Bananal em SP (fica à uma hora e meia do Rio e tem uns seis drops insanos). Tudo isso alternado com minha faculdade de economia.

Triboaventura: Qual a maior dificuldade para a prática profissional do skate downhill no Rio de janeiro e no Brasil?
No Rio, o que falta somente é a conscientização dos praticantes quanto aos equipamentos de segurança, pois tem muitas pessoas que tem condições de elevar seu nível e chegar às competições, mas por não usar equipamento se machucam feio e abandonam o esporte, ou seja, muitas pessoas desistem por sua própria inconseqüência, no resto do país acontece o mesmo. Falta também o apoio para campeonatos que devem acontecer com mais regularidade.


Triboaventura:
Valeu Gui, dá aí então um recado final pra galera que gosta de skate!
Aproveitem ao máximo o skate, seja na ladeira, na ciclovia, nas mini-ramps, esse esporte é incomparável e todos podem praticar se estiverem devidamente equipados e não abusarem do próprio limite. Usem capacete, joelheira, cotoveleira, luva e tenis sempre que forem andar de skate. É isso ai, muita paz, saúde e skate na veia, que DEUS no abençoe sempre! Se alguém quiser tirar dúvidas e qualquer esclarecimento é só me mandar um e-mail: guilhermeneto@ufrj.br

Grande abraço, Guilherme Neto (GUI).