por Marcello Cavalcanti / fotos por Marcello Cavalcanti e Rafaela Farache







Nesta página você poderá acompanhar todo o nosso roteiro de viagem, para entender um pouco como funcionam os passeios e atrações da Chapada.
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30/12/2004 (noite) Chegada a Lençóis
- check in na Hospedaria Le Prímole
Chegamos a cidade de Lençóis, o principal destino dos turistas para acomodação na Chapada. Cidade histórica, surgiu no século XIX com a descoberta de diamantes na região de Mucugê. Durante o século XIX e XX a cidade prosperou com a mineiração de diamantes. A importância do pólo era tanta que na época o governo francês instalou um consulado na cidade, para facilitar a importação das pedras. A partir de 1980 é que o turismo começou a se desenvolver em Lençóis, sendo que até 1994 ainda era bem pequeno. Hoje a cidade conta com dezenas de pousadas, alguns hotéis, restaurantes de comida caseira, lanchonetes, pizzarias, creperias, bares, lojas de artigos esportivos, lavanderia, igreja, e, é claro, várias agências de turismo, que disputam palmo a palmo o gosto dos turistas pela aventura. O centro da cidade é onde tudo acontece, onde está o comércio, a praça das Nagôs e a agitada Rua das Pedras.
As casas coloridas
Lençóis ao longe
Rua das Pedras a noite
Praça Horácio de Mattos
Lampiões do séc. XIX

31/12 - SERRANO / SALÃO DE AREIAS / CACHOEIRINHA / PRIMAVERA
Fizemos o primeiro passeio da viagem. Entramos pelo Parque Municipal do Serrano, onde conhecemos primeiro as piscinas naturais do Serrano, formações de pedra no chão por onde correm cachoeiras e rios. Estas piscinas naturais podem ser rasas como uma piscina de hidromassagem, ou fundas, com até 4 metros de profundidade. A água é escura, avermelhada, porém limpa.
Serrano e suas piscinas
Serrano
Serrano - mergulho

Dali, seguimos caminhando por trilha até o salão de areias. São enormes pedras graníticas e arenito, em decomposição, de onde os locais tiram areias coloridas para montar lembranças dentro de garrafinhas.

 
Salão de areias coloridas
Cachoeirinha

Continuando pela trilha chega-se a Cachoeirinha, que não apresentava um grande fluxo de água no dia, e, em seguida, a cachoeira da Primavera, com queda d'água de aproximadamente 6 metros. Finalizamos o passeio em um mirante de onde pode-se ver a cidade de Lençóis, ao fundo do vale. Este passeio dura aproximadamente 4 horas e custa cerca de R$20 pelos guias locais. Fomos guiados pelo presidente da Associação de Condutores de Visitantes de Lençóis, a ACVL, Silvio Rocha. A noite, o reveillon em Lençóis foi animado por barraquinhas de bebidas alcóolicas, fogos e muita música na praça principal da cidade, a Praça das Nagôs.

Contato:
Silvio Rocha
(75) 3341303 / 9992-0102
ACVL: (75) 334-1425


01/01/2005 - RIBEIRÃO DO MEIO

Este é sem dúvida um dos passeios mais tranquilos e fáceis da região de Lençóis. Uma trilha bem aberta, de 1 hora de caminhada com facilidade dá acesso a uma enorme piscina natural do rio Ribeirão. Esta piscina é servida por um escorrega de pedra, natural, onde locais e turistas podem descer sentados ou de pé (recomendado apenas para os mais experientes) direto na piscina. A caminhada é simples e não nescessita de guia para levá-lo até lá. O Ribeirão do meio fica dentro do parque da Chapada Diamantina, portanto na entrada da trilha deixa-se o nome para que a brigada voluntária de incêndio realize buscas caso você não retorne até a noite.

   
O escorrega do Ribeirão
do meio
 

02/01 - CACHOEIRA DO SOSSEGO

Esta foi a caminhada mais dura de toda a viagem. Por ter chovido forte na noite anterior, o volume de água dos rios subiu bastante, e por isso, a trilha de 7 km que leva a esta cachoeira pelo leito do rio praticamente sucumbiu. Fizemos mesmo assim, alternando trechos de caminhada por trilha na mata e outros pelas pedras do rio. A chegada 4 horas depois à cachoeira foi emocionante, já que ela se esconde em um vale de canyons altíssimos. A queda principal do Sossego tem 15 metros de altura. Na volta, mais 4 horas de caminhada dura pelas pedras e trilhas. Chegamos de volta à Lençóis por volta das 7 da noite. Quem levou foi o guia Anísio, da Extreme Ecoadventure.


Contato:
Extreme Ecoadventure - Marcos
Tel: (75) 334 1727
www.extremeecoadventure.com.br
marcos@extremeecoadventure.com.br


 
Água - mate Os paredões no caminho visual do Rio Ribeirão morada de garimpeiro
a alegria na chegada
suada
A Cachoeira do Sossego, acordada pelas águas da chuva

03/01 - POÇO ENCANTADO E POÇO AZUL

Este passeio é imprescindível para os amantes de cavernas e lagos cristalinos, e não exige nenhum esforço físico. Parte-se de manhã de Lençóis, de carro, em direção a Itaetê e Nova Redenção, onde estão os dois poços. A viagem de ida dura cerca de 2 horas, alternando estradas de chão e asfalto.
Poço Encantado:
Um lago de 65 metros de profundidade, 110 de comprimento e 70 de largura, dentro de uma caverna de proporções ainda maiores. Por uma fenda, a luz do Sol entra e ilumina a água, que se revela azul e verde cristalino. O raio de Sol entra apenas durante os meses de abril a setembro. Paga-se uma taxa de R$ 5 por pessoa para entrar no Poço Encantado e o acesso é feito por um caminho estreito por dentro da caverna. É proibido entrar na água. Pode-se apenas observar o espetáculo da natureza. O lago é habitado apenas por um tipo de peixe, o Bagre-Albino, muito raro. A gruta é tombada pelo IBAMA.

Poço Encantado
Poço Azul visto de cima
Poço Azul, de dentro

Poço Azul: Com 80 metros de extensão e duas cavernas de 20m2, é difícil dizer qual poço é o mais belo. A diferença maior é que no Poço Azul pode-se mergulhar, com auxilio de mascaras de mergulho e coletes de flutuação, para observar as formações rochosas embaixo d'água. O cenário é assombroso, sem vida, apesar de pequenos camarões e o raro Bagre-Albino habitarem o poço. A entrada custa R$4 por pessoa, mais R$1 pelo aluguel das máscaras de mergulho. A profundidade varia de 3 a 15 metros, com visibilidade total.

Fizemos o passeio com a Extreme Ecoadventure. Esta programação custa em torno de R$60, mais as taxas de visitação.

Contato:
Extreme Ecoadventure - Marcos
Tel: (75) 334 1727
www.extremeecoadventure.com.br
marcos@extremeecoadventure.com.br


04/01 - POÇO DO DIABO / PAI INÁCIO / PRATINHA / LAPA DOCE

No quinto dia de viagem fizemos novamente um passeio de carro, que poupa esforços em trilhas. Começamos pelo Poço do Diabo, uma belíssima cachoeira próxima a cidade de Lençóis (cerca de 20 min. de carro) onde fizemos um Rappel de 22 metros, (R$15) a partir de uma pedra à esquerda da cachoeira. O poço do Diabo é o maior poço que se forma do rio Mucugezinho. Além do rappel, pode-se fazer Tirolesa também. Ambos organizados pela empresa Nativos da Chapada.

 
Cachoeira do Diabo
Iniciando o rappel
22 metros de rappel
os poços do Rio
Rafaela no Rappel
 

Dali seguimos de carro para o Pai Inácio, uma das mais imponentes formações rochosas da Chapada. O morro fica bem próximo à BR 242. Para subir ao topo do morro, percorremos uma trilha ingríme de aprox. 20/25 minutos. São 250 metros no topo do Morro, onde pode-se avistar o Morro do Camelo, o Morrão, e o vale do Capão. O morro é privado e paga-se R$2 para subir a trilha.
 
O morro do Pai Inácio
Vista lá de cima - Morrão
Vista lá de cima - Morro
do Camelo à esquerda
Pai Inácio de outro angulo
Morrão
 

Descida a trilha, seguimos novamente de carro em direção norte, até Iraquara, cidade privilegiada pelas grutas em suas terras. A primeira a ser visitada foi a Pratinha. O rio Pratinha neste trecho apresenta uma incrível coloração, turbinada pela concentração de calcário no fundo. O verde, azul e prata da água mais parecem uma piscina artificial. Para entrar dentro da caverna da Pratinha, onde a água continua clara, paga-se R$10, incluindo o aluguel de máscaras de mergulho, pés de pato e coletes de flutuação. Lá dentro pode-se observar a concentração de microbúzios no fundo, peixes e morcegos no teto. Luz, só artificial. Sem as lanternas, o escuro toma conta de tudo. A gruta da Pratinha tem conexão com a Gruta Azul, logo ao lado, onde o mergulho é proibido.

   
Rio Pratinha
A coloração da água é inacreditável
A entrada da Gruta da Pratinha
Não é sonho, o "piscinão" da Pratinha é assim
 

Seguimos adiante, em direção a Lapa Doce, uma extensa rede de cavernas gigantes com formações inimagináveis de estalactites e estalagmites. A caverna já tem mapeados 22km, porém apenas 850 metros são abertos à visitação. A entrada da caverna tem 72 metros de altura, e o salão maior, 60 metros de largura. Lá dentro, formações inusitadas, propriamente batizadas pelos pesquisadores e locais. No passeio, percorre-se os 850 metros, saindo da caverna por outra entrada. O passeio inteiro (Pratinha, Lapa Doce, Pai Inácio, Cachoeira do Diabo) custa cerca de R$50 por pessoa, dura o dia inteiro e foi guiado pela Cirtur. O Rappel foi guiado pela Nativos da Chapada.

   
O Canyon na entrada da caverna
A entrada da Caverna é gigantesca
Formações estranhas
"O Seio"
 
   
"O Leão"
A galera que encarou a escuridão da caverna
"O Lustre"
Séculos são necessários para se chegar a essa formação
 
Contato:

Cirtur
(75) 334-1133 - Soraia
cirturlencois@hotmail.com

Nativos da Chapada:
(75) 334 1314 - Zé Américo
contato@nativosdachapada.com.br
www.nativosdachapada.com.br

05/01 - CACHOEIRA DA FUMAÇA (POR CIMA)

Devido a uma forte tendinite no meu joelho direito, tivemos que adiar a trilha da Cachoeira da Fumaça por baixo, onde percorre-se 3 dias entre a Serra do Veneno e o morro do Macaco para se chegar e esta beleza natural de 380 metros de altura. Mas isso não impede de visitá-la. Pode-se conhecê-la por cima também, de um modo mais simples. Percorrendo cerca de 1 hora e meia de carro, chega-se ao pé da trilha, em um pequeno vilarejo, onde se inicia uma longa trilha de 6 km até a queda d'água. Na entrada da trilha, uma pequena explicação da brigada voluntária de combate a incendios da região, que conta com poucos equipamentos de combate ao fogo. Pode-se deixar uma doação para a brigada. A trilha começa bem íngrime, com cerca de 1 hora e meia de subida puxada por uma escada natural de pedras. Ao chegar no topo do morro, são mais 1 hora e meia de caminhada no plano até chegar na boca da cachoeira, a mais alta do Brasil. A água mal consegue alcançar o fundo do canyon, onde existe um lago gelado e escuro (o Sol não bate lá). Os ventos levam o vapor d'água para cima, formando uma cortina branca. A observação da cachoeira se dá a 420 metros de altura, a partir de uma pedra onde o medo de cair não deixa ninguém chegar de pé. Lá do alto, um extenso vale tira do ser humano toda a sua mania de grandeza e dominação do mundo. O passeio custou R$ 50, pela Exteme Ecoadventure. Fomos guiados pelo experiente Marcos.

 
A galera que encarou a subida puxada
O vale - repare no tamanho das pessoas, à direita
suspensa a 420 metros
A cachoeira da Fumaça
A estrutura da Brigada voluntária
Flora local
Flora local
O vale e a cachoeira


Contato:
Extreme Ecoadventure - Marcos
Tel: (75) 334 1727
www.extremeecoadventure.com.br
marcos@extremeecoadventure.com.br


06/01 - DESCANSO - RIBEIRÃO DO MEIO

Acordamos um pouco tarde, resolvemos descansar, dar um giro pela cidade e tomar um banho de rio no já visitado Ribeirão do Meio.



07/01 - CACHOEIRA DO BURACÃO E RAPPEL DE 98 METROS

Este foi para nós o melhor passeio da viagem à Chapada Diamantina. A Cachoeira do Buracão ainda não é tão explorada quanto os outros pontos turísticos principalmente por causa de seu acesso complicado. De carro, são cerca de 4 horas e meia de distancia até Ibicoara, ao sul de Lençóis, percorridos por estrada asfaltada e de terra batida, bastante esburacada e com acesso quase exclusivo a veículos 4x4. Depois dessa jornada, anda-se +/- 1 hora ao lado do leito do Rio Espalhado para se chegar nesta maravilha da natureza. A cachoeira escorre sobre um canyon de aproximadamente 100 metros de altura. O acesso à cachoeira é feito primeiramente por cima. De lá, ao avistar a queda d'água monstruosa, de 85 metros, pode-se descer por trilha até seu enorme poço ( com profundidade de 50 metros) ou então do modo mais radical, fazendo um rappel livre de 98 metros de altura.. Obviamente escolhemos o rappel! O visual é de tirar o fôlego, e o medo trava as pernas no início. O peso da corda, controlada no final por um guia, também assusta. O rio forma o poço e depois continua a descer por entre um canyon altíssimo e bem estreito.. um visual indescritível. Para sair do Buracão sobre-se por uma trilha bem íngrime, por 10 minutos. Depois da aventura, mais 4 horas de carro até Lençóis e muita história pra contar. O passeio com rappel custa R$120, e foi todo feito com o experiente Zé Américo, da Nativos da Chapada. Zé recebeu o auxílio do guia local de Ibicoara, Aristóteles, conhecido como Toti, que fez a segurança da corda por baixo. Zé é o precursor do rappel na Chapada Diamantina.

Zé e Toti arrumando o material
Antes do Buracão, o Buracãozinho
A cachoeira e a corda
A saída do Rio, pelo estreito Canyon
descendo
Zé ajudando a turista no início
É só não olhar pra baixo
No meio do caminho, pausa pra foto
visual de tirar o fôlego
Quase chegando dentro do Buracão
descendo
Rafaela e a cachoeira
O mais belo lugar visitado
Pra sair do Canyon, mais aventura
A galera que não se intimidou com o rappel

Contato:
Nativos da Chapada:
(75) 334 1314 - Zé Américo
contato@nativosdachapada.com.br
www.nativosdachapada.com.br


Aristóteles Martins (Toti)
Guia da Ass. Cond. Visitantes de Ibicoara
(77) 413-2308


08/01 - DESCANSO - SERRANO

O dia anterior foi bastante cansativo, devido a longa viagem até Ibicoara. Decidimos descansar neste dia e relaxar nas piscinas naturais do Serrano, já visitadas anteriormente.



09/01 - MARIMBUS E POÇO SONRISAL

De volta a ação, nosso décimo dia foi no mangue. Partimos com o pessoal da Extreme Ecoadventure para o Marimbus, uma região alagada onde vivem espécies de cobras, piranhas, jacarés, peixes e aves. Decidimos fazer o passeio remando por conta própria caiaques alugados. Para chegar a Marimbus, percorre-se uma extensa trilha de off-road, por aproximadamente 1 hora e meia, bastante esburacada. O mini pantanal é bem tranquilo, com águas serenas. O passeio foi relaxante, apesar do peso para os braços, que remaram 9 km de águas pantanosas por 2 horas sob Sol forte. Após a remada, caminhamos por areia e mangue por 20 minutos até uma fazenda colonial onde hoje funciona uma pousada, para almoço. Dali seguimos a pé, por trilha de 15 minutos, para o Poço Sonrisal, outra surpresa da Chapada. São poços d'água, muito profundos, de água escura e avermelhada, bem parecidos com os poços do Serrano, porém de formação rochosa intrigante. Formam-se cachoeirinhas de 1 a 2 metros de altura, verdadeiras jacuzzis naturais. O passeio dura o dia inteiro e custa R$60, com o aluguel do caiaque Fomos guiados pelo simpático Marcos, da Extreme Ecoadventure.
 
Remando no Marimbus
Água serena
Remando no Marimbus
Visual no Marimbus
Visual da Serra do Capivari
Para chegar ao Marimbus, muito off-road
O Poço do Sonrisal
Um flamboyant nos brinda na chegada


Contato:
Extreme Ecoadventure - Marcos
Tel: (75) 334 1727
www.extremeecoadventure.com.br
marcos@extremeecoadventure.com.br



10/01 - ESCALADA NO POÇO HALLEY E SAÍDA DE LENÇÓIS (noite)

Nosso úlitmo dia na Chapada, infelizmente. Resolvemos praticar um pouco de escalada, e com o auxílio dos cariocas agora radicados na Chapada Rogério Camara e Jorge Miguel, do Nas Alturas, partimos ao meio dia a pé para conhecer as rochas que estão servindo de base para a implantação da escalada na Chapada. Segundo Rogério, a exploração do potencial de escalada do pico tem menos de 2 anos. Fizemos 3 vias diferentes em 3 rochas: uma 5o. grau bem abrasiva na rocha conhecida como Diamante, outra 5o. grau na parede chamada de Asa Branca, e uma 4o. grau, simples, na via batizada de Ana Norway, em homenagem a uma norueguesa que visitou os picos de escalada e não conseguiu completar nenhum, somente esta. A noite, nos despedimos de todos os novos amigos e pegamos o Real Expresso da meia noite, para iniciar a jornada de volta ao Rio: 30 horas de ônibus...
Terminamos com muito esporte radical e espírito de aventura a viagem que não sai de nossas memórias. A Chapada é indescritível.

 
Rogério encarando a 7B Boca de Escopeta
Marcello subindo a Asa Branca
Rogério chegando ao topo do diamante pela 7B
Rafaela
Marcello
Rafaela na Asa Branca: Ela foi mais alto
Rafaela no topo da Ana Norway
Marcello fazendo cara feia na abrasiva 5o. grau do diamante


Contato:
Nas Alturas
Tel: (75) 9966 2042 - Rogério ou Jorge Miguel
nasalturas_cd@hotmail.com